Uma música bem interessante pra recriar o clima daquele domingo à noite, é essa aqui!
Domingo à noite. Em dois corpos, a mesma urgência de sexo, de tesão incontido, uma necessidade mútua.
A impossibilidade. Não há lugar, não há tempo, não há opção, nada. O Improvável, o risco, perigo. Euforia, adrenalina, corpos quentes, instantes antes do desespero de cada um, pelo outro. Combustão espontânea. Não podíamos nos encostar. Era essa a nossa condição. Não havia como dar fim a tudo isso. Havia sim.
Rua escura, sexo rápido, mas não menos intenso, menos quente ou coisa assim. Era o nosso sexo, e isso explica. Era o banco de trás do carro, calças tiradas pela metade, a calcinha presa em uma das coxas dela, ela com um joelho apoiado no assento do banco, a outra perna apoiada no encosto do banco dianteiro, na minha frente, de costas pra mim. Era meu corpo encaixado no dela, minhas mãos agarrando um lado da cintura, os cabelos dela, os corpos se encontravam com força, com rapidez. Tesão só aumentava à medida que o tempo – escasso – passava. E nem foi tanto tempo assim.
Caralho! Era o vigia passando de moto! A gente interrompe a cadência perfeita e rápida dos movimentos, nos jogamos deitados um sobre o outro. E ninguém percebe nada através dos vidros embaçados, e a temperatura aumenta ainda mais com a iminência de sermos pegos em ato tão despudorado. Existe pressa, mas não havia como sermos apressados, era muito tesão contido alí, me coloquei novamente dentro dela, retomamos o ritmo que nos fazia urrar quase que nos denunciando, confessando que alí dentro havia muito mais do que apenas um carro estacionado.
Ela mordia o braço, olhava fixamente pra mim, tentava achar onde se agarrar e os corpos transpirando. Não havia passado mais que alguns minutos, tudo acontecia em flashes de consciência, lucidez, estávamos cegos pro que havia ao redor, era só a vontade de gozar um no outro, e era isso o que de repente aconteceu.
E gozamos, como nunca. Praticamente juntos, e era uma sensação interminável. Os segundos corriam, meu corpo paralisado, em um transe absurdo, sentindo o corpo dela todo em colapso físico, o tremor todo que percorria cada pedaço dela, cada parte do meu, um colapso bom, que sentimos juntos. Ela ainda encaixada em mim, apenas olhava pra trás em minha direção e ria incontida, enquanto eu tentava me equilibrar com o corpo me segurando em qualquer lugar, com uma das mãos ainda agarrada à sua cintura.
Tentamos nos vestir como deu, e nesse instante o vigia passava novamente por nós, quando liguei o carro pra ir embora. Ele parou a moto e ficou observando, enquanto a gente desaparecia na esquina.
Deixei ela em casa, e fui pra minha. E no caminho recebi uma mensagem de texto:
“o melhor sexo da minha vida“
A resposta foi breve, mas igualmente verdadeira:
“o melhor sexo da sua vida, e da minha!“

O que mostra claramente que o sexo não precisa de cama, de enfeites e planos… ele só precisa de dois corpos e tesão. Sensacional, Régis…
Que delícia de texto.
Eu sempre achei que tesão não precisa e não deve ter hora marcada, nem lugar.
E aprecio quem de vez em quando se rende a ele, assim … completamente.