Não há como não ser essa música para ler esse texto.
Amor platônico. Aquele amor que, supostamente impossível, nunca vai ser vivido.
E aos 16 anos, aquele menino que se sentia diferente de todo o resto, viu o seu primeiro amor platônico acontecer. Ela era a professora de biologia e botânica, de pele branquinha e aquele cabelo ondulado e todo ruivo (é, e parece que alí se manifestava também suas predileções dos encantos femininos), que ele viu de longe e que durante 2 meses e meio, ele era somente algum adolescente que vivia fantasias com uma professora. E nos meses seguintes daquele ano, ele viu tudo aquilo se transformar em um amor proibido. Era um segredo vivido ao lado de culpa, de confusão e de valores que a partir daquela história mudaria toda a perspectiva do que se pode alcançar, e até onde os amores vão.
E agora? Depois de algo assim, tudo se distorce e os valores estão todos fora do lugar. O que é impossível de se viver, e até onde vai a ousadia ou o quanto que se pode acreditar ser possível lutar por um amor?
Agora está tudo fora do lugar.
Amores vêm, eles vão. Acontecem, você vive alguns, desiste de outros. E em cada um há um pouco de inatingível, de distante. Até que você encontre um motivo para lutar por ele. Ou que ele lute por você. Aí vem alguém que conteste com ceticismo e diz que nem todos os riscos valem, nem todo sofrimento por aqueles amores que não aconteceram é digno, ou que os obstáculos bla bla bla whiskas saché. E aí é que entra a distorção em quem alcançou a realização de um amor platônico. Nem todo impossível o é. Nem todo inalcançável está distante o suficiente para não se querer.
Esse menino de valores que não se encaixavam com os conceitos mais formais de limite, que aprendeu que nem tudo é impossível, ele hoje entende o amor de um jeito diferente. Acabou se transformando em alguém que sente nenhum ou quase nenhum medo de arriscar por amores maiores que ele mesmo, que se entrega a lutar e viver cada amor de forma a ser o mais intenso, mais louco e importante.
As ilusões acontecem no meio de algumas histórias, claro. E noites insones, e dias vazios, sorrisos que são esquecidos, desvalorizados. O lado não tão doce de cada um dos amores que não deram certo. E todos eles deram certo. Ao menos enquanto eles foram possíveis. E no dia seguinte à constatação de que acabou aquele amor, começa a espera por uma nova impossibilidade, um outro proibido, outro amor que não vai lhe servir. Mas isso não importa pra um menino que não aprendeu a lição do amor platônico. O amor acaba acontecendo, e outro amor, e outro amor…
E um dia o grande amor da vida acontece.
E não faz diferença se é o menino que o encontra, ou se o grande amor o encontrar no meio da vida. Realmente não faz diferença.
É nesse momento que o menino sente formigar tudo por dentro, no encontro do primeiro olhar, no momento em que venta e aquele primeiro abraço acontece. E quando o primeiro beijo conta o gosto que tem esse grande amor. E assim acontece.
E nesse momento ele se lembra daquele primeiro amor, Gisela. Ele volta pra casa sorrindo, em silêncio. Vai sentindo uma euforia inexplicável, diferente. Vai se lembrar do cheiro doce que ela tinha, do sorriso disfarçado e de olhos baixos. E vai se lembrar também que nem tudo que parece distante, está tão longe de se fazer presente.
Pois amor quando tem que acontecer, nada disso importa. O que importa mesmo é só o tal do grande amor. E a chance de se viver ele.

E viver como se fosse o único e último grande amor da sua vida.
Nunca seremos livres do desejo de amar. Encantar-se por uma nova pessoa, que saiba expressar em palavras aquilo que Você queria ouvir, quem nunca? E os amores fisicamente impossíveis? Aquele que hoje a Internet faz com que se tornem proximos virtualmente mas geograficamente tão distantes…Isso para não falar daqueles em que pensamos “Por que não te conheci antes?”. É sempre serei capaz de amar novamente.
Parabéns pelo texto. Muito bom mesmo, me fez lembrar de cada coisa.
Amores platônicos, quem nunca viveu? Eu já. Essa sensação absurda de impossibilidades, incertezas e urgência.
Meu pecado é que sinto medo, muito medo … mas fecho os olhos e me jogo. O rosto, as vezes fica meio estatelado no chão, mas tudo bem. Medo maior tenho de ficar na minha cama cheia de culpas por ter deixado passar.
Estatelando, levantando, sentindo, buscando … e quem sabe? Quem sabe?
Texto perfeitíssimo, parabéns lindo.