Você acorda ao meu lado com o corpo ainda quente, eu te beijo o rosto e ganho um sorriso, esse seu olhar que me encanta. A gente se encosta e sempre dá choque, sente o corpo tremer todo. Eu me enrosco nas suas pernas, te mordo o ombro e a gente fecha os olhos juntos. A minha mão procura a sua, os dedos se enroscam, se confundem e seguram com força.
Eu fico louco com seu cheiro, eu brinco com a minha boca deslizando no seu ventre, você respira fundo e se contorce de leve. Eu adoro essas calcinhas de algodão que você usa, mas o bom mesmo é quando você dorme só com uma camiseta minha.
A gente levanta junto, vou pra cozinha e você se esparrama no sofá da sala, cruza as pernas enquanto eu faço um café, escolhe uma trilha sonora que só a gente consegue gostar de verdade. Seu olhar se perde lá longe, na fresta que a cortina deixa na janela da varanda. Sorri calada, sorri quando eu te entrego a caneca de café quente, sento ao seu lado e te beijo as costas bem suave, fazendo arrepiar cada um de seu milhares de poros. E é assim que você reage, sempre foi, vai ser sempre assim, quando a pele de um encosta na do outro.
Eu me ajeito no sofá, você se aconchega no meu colo sentada de frente, e brinca puxando com os dedos as minhas correntes. E desde sempre a gente se entende nas conversas, muitas vezes conversas longas, e com poucas palavras a gente sabe, a gente se entende sem precisar explicar muito. Simplesmente sabe. Ouvir o olhar que diz tanto em certas horas, vai bebendo café e acreditando que nosso mundo pode não ser perfeito, mas é nesse mundo que a gente sabe ser feliz.
Enquanto nossas músicas tocam uma após a outra, vamos pensando o que faremos o resto do dia, se as mesmas coisas que ontem, ou iremos pra outro lugar distante. Não sabemos. Mas vamos escolhendo os minutos seguintes sem pressa, como dedos brincando de pernas andantes, passeando no corpo e querendo ir sem saber onde. Você resolve ir pro banho, eu finjo que espero, mas é só até você ligar o chuveiro e fechar a porta do box. Em seguida eu apareço sem avisar ou dizer qualquer coisa, entro pra me molhar com você, é que eu sei que você gosta de banho junto comigo, como sei de tantas coisas sobre você e que tanta gente não entende.
Termina o banho, seu cheiro espalha a sensação de vida pelo apartamento todo, cheiro fresco de corpo que me excita, é quando eu te jogo na cama, e pela segunda vez desde que acordamos, fazemos amor daquele nosso jeito. A gente se entende de um jeito só nosso, e sente a química reagindo por dentro, coisa que não tem explicação, a gente sente e ponto. Coisa que combina, mas é tipo nitroglicerina: incêndio na certa.
A gente decide não fazer mais nada, além de passar o resto do dia sendo o sorriso um pro outro, a paz e a serenidade que tanto sabemos que só aqui é que temos a certeza de tê-las. E que assim seja, até que venha a vontade de outra coisa.
E quem sabe um dia tudo isso seja o fragmento de um de meus domingos, ou de todos eles. Que alguém seja tudo isso, e que faça a escolha de ser, não por mim, ou por ela. Mas por acreditar que além de sermos dois, ainda tenha espaço pra encaixar o “eu e você, minha imperfeição com a sua, porquê não?”
E que assim seja, pois não vamos querer que seja diferente.

Por um mundo feito de semanas feitas de domingos assim.
Muito bom o texto, envolvente, erótico, realista e, porque não, romântico em certa medida. Muito bacana, parabéns.
Amigo querido:
Que texto lindo! Fico pensando quando (e se) haverá alguém que, um dia, se interesse na minha vida e meus detalhes para me descrever – a mim e aos meus atos – com tanta riqueza.
Adorei!