São Paulo, 10 de Dezembro de 2011.
Olha, você sabe bem que eu sinto tua falta. Mas o que eu realmente queria que você soubesse, é que a vida tá foda sem você aqui. E antes de mais nada quero te pedir uma coisa: eu tô te escrevendo pois anda pesado demais guardar tudo isso aqui só pra mim, mas não quero que chore. Eu ainda sou louco pelo teu sorriso, e é isso o que eu te peço: sorria com os olhos, como só você foi capaz de sorrir assim pra mim.
Essa semana fotografei uma bebê de 20 dias, e ela me levou à lembrar de tudo de uma forma diferente. Pude perceber que você foi a única pessoa que foi capaz de me trazer a vontade de ser pai novamente. Tanto por eu ter encontrado em você um ser humano lindo, como também por ter visto a mãe que já é. E aí, nessa última madrugada também encontrei aquela carta que você me escreveu. E eu não pude deixar de sorrir, e sorrir e sorrir…. E foi bom ter lido e sentido tudo isso novamente. E eu vou te contar o motivo.
Sabe, Galega… eu não tinha me dado conta até então de algumas coisas, e uma delas (acho que a principal), é que eu teria escrito quase tudo o que me escreveu, pra você. Quando você se pegou sorrindo involuntariamente, quando eu mostrei pra você uma forma diferente de ser feliz, quando eu te fiz acreditar que tudo daria certo. Eu te fiz querer ser alguém melhor. Pois bem. Eu quero que você saiba que você me fez querer ser e efetivamente me fez alguém melhor. Você me fez encarar o amor de uma forma que eu já tinha desistido de acreditar que pudesse ser. Você me manteve fora do eixo, e me ensinou a encontrar o equilíbrio necessário pra viver a vida nessa direção. E me mostrou que no final, tudo pode dar certo.
Esse é o seu último texto. Inicialmente pode soar triste, mas no fundo não, vai ser bom. Talvez seja essa a chance que eu vou ter de te fazer saber de tudo o que eu queria ter falado por algum tempo, e não a tive. Todas as suas risadas, aquele seu jeito ÚNICO de me fazer as suas vontades, quando me pedia alguma coisa, quando desenhei um coração na sua pele, quando eu errei o caminho da sua casa, naquela noite de 28 de maio. Tudo isso vai ficar guardado, vai ficar aqui no meu peito. Tudo isso vai me fazer sorrir amanhã, depois de amanhã, daqui há dez anos. E tudo isso por três motivos:
- Foi, e pra sempre será dessa forma que eu vou lembrar de tantas coisas que me trouxeram não só o melhor de ti, mas o melhor de mim, o melhor das minhas imperfeições, das suas, e também do esforço de cada um de nós em querer aprender com tudo isso.
- Durante um amor como esse nosso, dias e noites que foram vividos da forma mais absurda, em todo e qualquer tipo de interpretação que podemos dar a essa palavra, soubemos e descobrimos muito mais do que imaginávamos de nós mesmos.
- E mesmo que tenhamos falhado ou tropeçado em algum momento, fomos capazes de erguer a cabeça, e com a força que talvez nem sabíamos ter, decidimos não ficar no chão. Decidimos aprender.
Você é responsável por tantas coisas que aprendi e por tanto que sou hoje, que há a certeza de que se a história de amor tem que ter um final, que esse final seja feliz assim, e que você se lembre da mesma forma, mesmo que nunca mais eu diga que te amo, e nunca mais você me abrace daquele jeito que aconteceu quando nos conhecemos.
Mas ainda assim, seremos felizes. E eu te prometo sorrir todas as vezes que eu me lembrar de você. (você sabe, né? então… <3)
(e diferente de todos os outros textos que já publiquei, pra esse eu quero deixar tocar uma música, mas somente depois do texto lido. essa aqui.)

Liiindo texto…
Diante dessa imensidão, confesso que minha curiosidade me pergunta crepitante: pq terminou??
Olha, Lelly… os motivos mesmo, são questões que por respeito e privacidade(não só minha, mas dela), prefiro deixar guardado entre mim e a Galega. entende? (:
Chorei. Muito.
só escreve assim quem realmente viveu de verdade cada momento desse.
continue vivendo e escrevendo.