Já perdi as contas de quantas vezes escrevi cartas pro velhinho barbudo da Lapônia. Sério. Foram tantas e tantas… Quando criança, eram aqueles pedidos materiais, um brinquedo, uma bicicleta, o jogo novo. Aí fui crescendo, e em determinado momento, comecei a desconfiar (como toda criança que cresce) da existência desse tal de Papai Noel. Amigos da escola zombando, priminhas fazendo piadas e tudo mais. Até aí tudo bem, acho que faz parte da vida.
Pois bem. O tempo passou, e já adulto, resgatei um pouco daquilo que durante muitos anos me fez falta: o coração puro e de sentimentos imaculados que toda criança carrega no peito. Revivi inúmeras emoções, sentimentos e alegrias. Relembrei das brincadeiras, da ausência do medo em me arriscar em qualquer passo na vida. E descobri que sim, independente de quantos aniversários eu tenha feito, posso, e vou continuar sendo aquela criança.
E o que poderia ser tão “experiência de infância” quanto uma carta pro Papai Noel? Acho que poucas coisas se aproximam do que é sonhar na infância… e é isso o que quero fazer agora!
“Querido Papai Noel,
Sabe, durante algum tempo eu achei que você não existisse. Sério mesmo. Achei que fosse algum tio ou qualquer pessoa assim, vestindo uma roupa vermelha e com um travesseiro na barriga, barba colada no rosto, fingindo ser você. Veja só que coisa! Mas eu sei que você existe. Senão, de onde teria vindo aquela Caloi Cross quando eu tinha 10 anos de idade? Tá vendo? E é por isso que estou escrevendo essa carta pra você nesse natal. Pois eu gostaria de fazer um pedido.
Eu até poderia pedir aquela Harley-Davidson que vi na loja semana passada, mas não é isso o que tem me importado ultimamente. São outras coisas. E eu queria saber de você se você é capaz de me dar de presente um pouco de “coisas não materiais”. Tem jeito?
A primeira coisa é força. Apesar de minhas fraquezas serem reconhecidas e hoje eu tê-las dominado, sabendo lidar com elas um pouco melhor, eu gostaria de um pouco mais de forças, pois é ela que vai me suportar quando eu quiser arriscar viver desse único jeito que sei fazer as coisas.
A segunda, é que eu tenha serenidade e equilibrio em minhas decisões, que por mais loucas que elas sejam, que elas possam ser o resultado de uma escolha feita com o coração sereno e equilibrado.
A terceira, é que eu possa ter sempre amor além da conta em meu coração, pra que ele não caiba em mim, e eu possa distribuí-lo entre os que amo. E que todas essas pessoas especiais possam também acolhê-lo em seus corações, sentindo-o exatamente da forma como eu gostaria que o sentissem.
A quarta coisa que eu quer é lucidez. Que em meu caminho encontre as lanternas que me guiem na direção de meus sonhos, que eu não me perca no caminho, e possa agarrar cada um deles com toda a força da minha vida.
E por fim, a quinta coisa. E essa é um pouco menos egoísta.
Eu gostaria realmente que tudo o que eu pedi pra mim, pudesse ser dado a cada um dos seres-humanos de bem, e que eles possam receber tudo isso de coração aberto, e que saibam usar tudo isso pra construir um mundo melhor de se viver, pois mesmo que eu, meus amigos e conhecidos não não tenhamos tempo de ver esse mundo melhor, que nossos filhos e netos possam.”
Você gostaria de pedir alguma coisa pro velhinho barbudo? Tá esperando o que? vai lá e escreva pra ele também! Corre!

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comecei a ler seu texto e imediatamente lembrei do natal mais feliz da minha vida, eu tinha uns 5 anos, mas lembro como se fosse hoje, foi quando ganhei minha caloi verde. Nossa, tudo que eu queria era ter aquele sentimento de felicidade plena de novo onde tudo era perfeito e não me faltava nada. Depois disso eu cresci e tanta coisa mudou, claro. Sei que hoje do dia o natal é uma data cheia de saudade e melancolia pra mim. E sua carta é linda.